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sábado, 17 de dezembro de 2011

Série Bórgia: deixe seus filhos lerem

Ok, exagerei no título. Mas não tanto. Se seus filhos têm mais de 13 anos e gostam de Mafalda, não faz mal deixá-los ler a excelente série Bórgia, uma quadrilogia de quadrinhos adultos, roteirizada pelo cineasta chileno Alejandro Jodorowsky, responsável pelo esquisitíssimo filme El Topo - esse não é bom deixar seus filhos assistirem - e pelo conceituado desenhista italiano, Milo Manara (da série Click).

Comprei Bórgia por curiosidade. Tanto para saber em que resultaria essa estranha parceria como também para conhecer mais da história proposta no enredo. Descrita como uma "biografia não-autorizada" da polêmica família Bórgia, que causou no século XV, eu prefiro acreditar que a história é apenas baseada em fatos reais e não chega ao ponto de ser biográfica. Porque, né... Pensem numa selva. É Bórgia. Não vou contar muita coisa para não estragar a surpresinha do fim do post... Mas eu digo que é um ótimo caminho para desmistificar a visão que muitos ainda tem da imaculada vida papal.

Os Bórgia são compostos por Rodrigo Bórgia (ou papa Alexandre VI), Lucrécia Bórgia, César Bórgia e Giovanni Bórgia, contudo a história é centrada nos três primeiros citados, os mais pervertidos e perversos. Os quatro volumes (Sangue para o Papa, O Poder e o Incesto, As Chamas da Fogueira e Tudo é Vaidade) contam desde a morte do papa anterior a Alexandre VI até a decadência da família Bórgia. Com muito sangue, sexo, alguns palavrões e uma realidade deformadamente exagerada, fruto de uma parceria que, pessoalmente, eu adorei.

O roteiro de Jodorowsky não foge a sua tendência visceral e sádica e não consigo imaginar um desenhista mais apropriado que Milo Manara para dar formas à intenção do roteirista. Rodrigo Bórgia e Lucrécia Bórgia são figuras importantes da história da Igreja e de Roma e ambos são completamente dissecados nos quadrinhos, que os apresentam em sua forma menos moralística  e mais animalesca possível. Bórgia também faz referências a outros nomes importantes da história: traz um ambicioso Carlos III, um Maquiavel "arengueiro", e um Leonardo Da Vinci que não se corrompe por dinheiro ou poder, mas por sexo.

Para quem ficou curioso pelo roteiro de Jodorowsky ou pela arte de Manara, me amem! Achei um link com os três primeiros livros da série. Claro que não se compara aos livros originais (e, galera, sempre tá baratinho nas promoções do Submarino, comprei os meus por R$ 29,90), mas dá para ter uma ideia da coisa. Vale a pena separar duas horinhas para ler a série. Cliquem aqui e sejam felizes.

Obs: Não recomendado para pessoas com excesso de pudor ou ausência de consciência crítica para assuntos religiosos.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Shania sacode a poeira e dá a volta por cima

Shania Twain finalmente livrou-se do mal maior de sua carreira: o casamento mal-sucedido e suas consequências.



Shania, ícone do country-pop dos anos 90 e início dos anos 2000, não sobe em palcos há mais de sete anos, quando resolveu dedicar-se a dura atividade de sustentar - sozinha - o casamento que ruía. Não conseguiu, de toda forma. O marido, um carinha "bacana" e pouco sociável, o produtor e compositor Robert John “Mutt” Lange, apaixonou-se pela melhor amiga de Shania, por quem a deixou.

Desde então, a cantora remoe mágoas, muito bem expostas em um documentário de TV e em um livro, nos quais Shania, de 45 anos, descreveu a destruição do seu casamento de 14 anos e os medos de que nunca cantaria novamente por conta de uma doença chamada disfonia, em que os músculos apertam as cordas vocais.

Como fã incurável da música e do estilo de Shania, não tenho mais palavras para xingar o fulaninho que provocou isso tudo. Mas como diva é sempre diva, Shania roda a baiana, sacode a poeira e dá a volta por cima! E em grande em estilo. Ela se apresentará para os fãs na arena de 4.300 lugares no Caeser's Palace, em Las Vegas.


O show, de título muito bem escolhido, chamado Shania: Still the One, vai começar no dia 1º de dezembro de 2012. Ela vai ser a primeira cantora country a se apresentar como a principal atração do lugar.

O sucesso de Shania Twain, ou Eilleen Regina Edwards, seu nome verdadeiro, alcançou o ápice em 1997, com o lançamento de Come on Over, que elevou a venda mundial de discos para mais de 75 milhões. O seu último lançamento em estúdio foi em 2002, com Up! e os grande singles Nah!, I'm Gonna Getcha Good, Ka-Ching, In My Car (I'll be the driver) e Up! (minha música favorita dela).

Mas o melhor álbum de Shania é mesmo Come on Over, quando as suas tendências pop vêm a tona, casando perfeitamente com o country, que lhe é sacramentado, e a voz forte, um tanto rouca e envolvente.

As composições de Shania são sempre dotadas de bom humor e um toque bem apimentado de feminismo e pouco romantismo. Claro que sempre encontraremos recaídas como "You're still the one", "Don't" (que já foi trilha de novela Global) e "From this moment on", eternamente tocadas em casamentos e momentos de juras de amor.

Shania Twain - Up!

Bem... quem duvida que ela não fará composições sobre o tema por um bom tempo? Eu não acho ruim. Nada como a acidez de "Honey, I'm home", "That don't impress me much" e, claro, a clássica "Man! I feel like a woman", responsável pela minha simpatia inicial com Shania.

That don't impress me much - Shania Twain

Admito que o nome artístico Twain (que remetia a Mark Twain, escritor de dois dos meus livros favoritos) muito me induziu...

De toda forma, anuncio em primeira mão que logo começarei a vender rifas para a minha viagem a Las Vegas em 2012. Por favor, colaborem e façam uma fã feliz. Em recompensa, posto aqui o álbum que une os maiores sucessos de Shania, que ainda não são muitos. Espero que, com a retirada do ex-marido brucutu de cena, logo outros sejam lançados.


E de brinde, o recém-lançado single de reviravolta: Today is your day.

terça-feira, 31 de maio de 2011

(O noivo da) Minha Melhor Amiga

O filme “O noivo da minha melhor amiga” não é nada senão uma desculpa (e talvez um complemento) para a minha verdadeira finalidade: fazer uma homenagem a uma das pessoas mais importantes para mim, minha fiel escudeira, também conhecida como Sancho Pança rs, Thelma, Alface, Ninha, Traste, Monga e por aí vai. Seria difícil citar todos os apelidos super carinhosos atribuídos em... (12, 13, 14, 15, 16, 17, 18 e 19) sete anos (caralho!) de amizade.


Mas vamos começar pelo filme e depois pulo para a parte sentimental. E quem não tiver interesse, dá esc e estamos feitos (mas sério, se der para ler, leia, tô fazendo com tanto carinho).

Confesso que fiquei danada (no sentindo de com raiva e não de esperta, ok, Cefas Carvalho?) quando paguei nove (NOVE!) reais para ver uma comédia romântica semana passada. Mas eu estava com saudade de cinema e pipoca... e faltando duas pessoas para a minha chegada ao carinha do caixa, os ingressos de Piratas do Caribe 4 (a que eu assisti esse sábado e resenhei lá no O Chaplin) esgotaram. Além do mais, estava saindo com a dita pessoa que homenagearei no post pela primeira vez depois de, sei lá, três semanas de intriguinhas bestas (parece que ainda temos doze anos, às vezes).
Felizmente, o filme foi congratulado com a presença da Kate Hudson (por quem tenho uma quedinha particular), e isso me fez simpatizar de cara, quando ela adentrou uma cena bêbada e gritando, o que, idiotamente, me fez rir durante uns quatro ou cinco minutos (na verdade, olhar para o rosto dela já é o suficiente para me fazer rir).

Mas Kate Hudson à parte, o filme é aquela velha história da Cinderela sem graça (Rachel) apaixonada pelo príncipe que não pode ter. Nesse caso, não pode e nem deve, já que o tal príncipe namora a melhor amiga dela (Darcy). Mas o príncipe gosta da Cinderela também, então vocês já podem imaginar o final.

O balaio é completo nesse filme: tem amiga doida, tem amigo engraçado metido a garanhão, tem amigo que finge ser gay mas é apaixonado pela Cinderela, tem cena-tapa-buraco de avião aterrissando (totalmente sem sentido, convém dizer), tem traição, tem álcool, e tem comédia. E ainda tem tradução nada a ver do título. De "Something Borrowed", no inglês, teoricamente, "Algo Emprestado", para "O noivo da minha melhor amiga" (Hã??)


É uma típica comédia romântica, sem tirar e nem acrescentar nada. Portanto, se querem um conselho, NÃO PAGUEM NOVE REAIS POR ELA. Baixem da internet se estiverem deprimidos e quiserem rir, ou comprem por, no máximo, dois reais no camelô mais próximo. Mais que isso, é roubo. Só para ajudar, vou pôr um link dele no fim do post, caso interesse a alguém. Mas tá dublado (foi tudo o que eu achei, sorry). Também vou por o trailer só para não dizerem que o post ficou incompleto.

Trailer "Something Borrowed"

Sim, o filme é engraçado. Mas eu passaria sem ele, SE não tivesse caído como uma luva na ocasião em que assisti. Essa merda me fez chorar, acredite. E a razão vai abaixo:

Darcy: “Como todos já sabem, vou me casar daqui a 61 dias. E, Dex, meu bem, eu tenho uma confissão a fazer. Não vai ser o meu primeiro casamento. É. A Rachel e eu somos almas gêmeas desde sempre. Vivíamos grudadas, fazíamos tudo juntas. Tipo, representar o North Dancing, ou inventar a nossa própria coreografia de Hip Hop. Basicamente dividíamos tudo. Inclusive o Ethan. Ele foi nosso par no baile da sexta série. E durante esse tempo todo Rachel e eu fomos inseparáveis. Éramos nós contra o mundo. Depois que nos formamos, ela me trocou por aquela faculdade de Direito idiota, apesar do fato de eu ter desistido da minha vaga na Notre Dame porque ela não foi aceita. Mas tanto faz. No final deu tudo certo, porque ela foi estudar Direito em Nova York, conheceu o meu futuro marido e nos apresentou. Eu nunca vou me esquecer que quando Dex me pediu em casamento, tudo o que eu pensava enquanto ele estava lá de joelhos era que eu queria que a Rachel estivesse lá, me vendo, naquele momento. Dizer que você é minha melhor amiga, seria o eufemismo do século. Você é a irmã que eu nunca tive. Você é... às vezes, a mãe que eu sempre preciso. A grande razão para eu poder me lançar sem medo nas aventuras é porque ela está sempre lá. Ela está sempre, sempre, lá. Eu te amo, Rachel. De verdade. Feliz 30 anos!”

Quando a novela “Alma Gêmea” estreou na tevê, vivíamos cantando a música tema. Isso porque, se almas gêmeas são pessoas diferentes que se complementam, Ana Clara é, sem dúvida, a minha (ou uma das minhas). No início era assim: eu era uma patricinha abestalhada cujo repertório musical limitava-se a Britney Spears, Madonna e Lindsay Lohan, e o guarda roupa era capaz de “incandiar” alguém, devido a quantidade de peças cor-de-rosa. Chegava ao absurdo de vestir uma blusa, um boné, brincos, batom e uma sandália rosa de uma vez, a prova vai abaixo. Ana Clara, por sua vez, era feliz com os cabelos sempre presos, ouvindo seus bons rocks, óculos redondos, aparelho e um quê de autismo que ainda hoje sustenta. Eu era CDF, ela estava um tanto longe disso.




A partir do momento que ficamos amigas, passamos a viver grudadas. O tempo todo. Se alguém (mesmo professores e funcionários) me via sozinha, perguntava: “E cadê Aninha?”. O mesmo com ela. Chegamos ao ponto de sermos separadas de turma. Não que tenha adiantado de alguma coisa. Quando dava vontade, eu ainda ia para a turma dela ou ela para minha. E ai de quem se opusesse. Nunca fomos muito chegadas a hip hop, mas inventamos a nossa própria coreografia de “Man! I feel like a woman”, e o nosso próprio ritmo de “Girls just wanna have fun”, ou “Don’t let me get me”. Dividimos tudo também. Desde nossos amigos (Ronaldo, Thales e Túlio), até livros, cds, dvd’s e batata-frita (quatro itens de que temos maior ciúme. É.)

Bem, às vezes, ela chora dizendo que a troquei pelo Jornalismo. Mas é mentira. Quando não era o Jornalimo, era o Grêmio, eram as aulas, era o vestibular. Eu sempre fui um tanto ativa demais. E Ana Clara estava lá para me puxar do mundo real, às vezes, e evitar que eu tivesse um piripaque qualquer hora dessas. Não lembro de um só relacionamento que ela não tenha me apoiado. Todos, mesmo nas horas mais improváveis, ela estava lá. Para me incomodar – ou me salvar. Desde o meu primeiro beijo. Ainda lembro vagamente de ela querendo bater em um cara nesse dia. Bem, não vou mais a festas por um trauma adquirido nesse dito dia 22 de dezembro de 2006. Mas deixa para lá.

Mas sem sombra de dúvidas, a coisa mais verdadeira dessa fala da Darcy no filme é isso: “A grande razão para eu poder me lançar sem medo nas aventuras é porque ela está sempre lá”. Eu sempre fui muito medrosa, e você sabe disso. Mas aprendi a tomar banho de chuva por sua causa. Aprendi a me melar, a correr riscos, a faltar aulas, a mentir as festas que ia... aprendi a ser quem eu sou e a me deixar ser. Obrigada por isso. Obrigada até por não se importar quando as pessoas acham que somos namoradas, embora a ideia seja repugnante. Sem ofensas, mas você entende.

Os anos passaram. Temos pouquíssima coisa das garotas que éramos quando nos conhecemos. Mas ainda somos amigas e não vejo um motivo para deixarmos de ser. Apesar dos pesares, nos conhecemos a cada dia mais. Você é como um porto-seguro. Quando tudo estiver fodido (com a licença da palavra), ainda tenho você. Como sempre tive nos piores momentos.

E de resto, eu só tenho a dizer Feliz 19 anos, nojenta! Botox na sua vida!


 Darcy: Gente que é amiga desde criança quase sempre se separa algum dia. Que bom que a gente não.
Rachel: Também acho.
Darcy: E nunca vamos nos separar, não é?
Rachel: Não.
Darcy: Acho que não existe ninguem que me conheça mais que você. Nem mesmo o Dexter conhece. Não como você. Eu sinto que você me aceita totalmente.
Rachel: Darcy, por que tá falando isso?
Darcy: Eu não sei, mas quando a gente vai se casar começa a pensar em todos os grandes momentos. E você está em todos os meus.


 Obs: Como prometido, clique aqui para fazer o download do filme dublado. A qualidade também não tá muito boa... Mas para os interessados, promessa cumprida.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Sobre Shirley Manson



Acusem-me de desinformada, mas a minha descoberta do mês foi mesmo a escocesa Shirley Manson. Não foi necessário mais que um clipe de Garbage assistido casualmente para que eu me apaixonasse pelo estilo agressivo, rebelde e, principalmente, pela voz singular de Shirley Ann Manson. À propósito, sem comparações com Marilyn Manson, ok?

Shirley nasceu em Agosto de 1966 e, até agora, já contabiliza funções de modelo, atriz, cantora e compositora ao longo dos seus bem vividos 44 anos.

Como quase toda cantora de rock alternativo, Shirley frequentou a Igreja Presbiteriana até os 12 anos por influência da família. Eu duvido que ela mantenha os velhos hábitos nos dias de hoje, mas obrigada, Igreja Presbiteriana, por ter revelado a voz da cantora que viria a se tornar um dos maiores ícones femininos do rock. 

Novamente, como quase toda cantora de rock alternativo, Shirley sofreu bullying durante a adolescência, levando-a à depressão e auto-mutilação. O bullying parou quando Shirley parou de bancar a boa moça e decidiu rebelar-se, saindo com pessoas mais alternativas e frequentando lugares mais suburbanos. E eis que a garota deu-se ao respeito. Muito bem, Shirley.

Aos 16 anos, ela entrou na banda de seu namorado, a Goodbye Mr. Mackenzie, tocando teclados e fazendo backing vocals. Dez anos depois, com o fim do Goodbye Mr. Mackenzie (que nunca obteve muito sucesso), Shirley se tornou a vocalista da banda Angelfish.
Nessa época, os outros integrantes do Garbage já estavam trabalhando no projeto e procuravam por uma vocalista. Eles conheceram Shirley pelo videoclip da música "Suffocate Me", do Angelfish.

Tell me Where it Hurts - Garbage


À frente do Garbage, Shirley Manson tornou-se ícone do rock alternativo dos anos 90, esbanjando talento, carisma e muita atitude no palco. A banda teve seu ápice em meados dos anos 90 com os álbuns Garbage e Version 2.0 e emplacou hits como Only Happy When it RainsWhen I Grow Up e Stupid Girl

Foi ainda no Garbage que Shirley emprestou a voz para a música tema de um dos filmes do agente James Bond, 007 - The World is Not Enough. A música, homônima, é uma das mais belas (e compatíveis, convém dizer) trilhas sonoras da sequência 007.

The World is not Enough - Garbage

Em 2007, ano de lançamento do último álbum do Garbage, a banda entrou em um hiato por tempo indeterminado. O lançamento do álbum solo de Shirley Manson estava previsto para 2008, porém, por pressão da gravadora, ele foi adiado.



Atualmente, com o Garbage mais para lá do que para cá, Shirley tem se dedicado à carreira de atriz, atuando como a gananciosa empresária Catherine Weaver, no seriado The Sarah Connor Chronicles.

Shirley Manson também se dedica a trabalhos de cunho social desde 2001, quando se tornou embaixadora de uma campanha da MAC Cosmetics em apoio a pessoas com AIDS. Ela ainda tem uma queda por animais menosprezados. Em 2007, adotou um cachorro que sofreria eutanásia, ao qual deu o nome de Veela*, devido a sua afeição pela série de livros Harry Potter.

Shirley fazendo doação à fundação MAC Aids



*Veela é um ser de trejeitos femininos capaz de enfeitiçar os demais (especialmente os de sexo masculino) com sua beleza. 
Fonte: Wikipedia

domingo, 17 de abril de 2011

Sobre a Felicidade, que não se compra

Tive acesso ao filme A Felicidade não se compra (It's a wonderful life, 1946) em uma das situações menos prováveis possíveis. Contudo, sou extremamente grata a quem me apresentou a ele, embora, provavelmente, esse tenha sido o único contato mais próximo que tivemos e teremos na vida. Com essa pessoa também aprendi algo de que sempre lembrarei: Não leia sinopses. Confie se alguém diz que um filme é bom. As sinopses acabam com boa parcela do encanto dos filmes... e raramente influenciam na opinião que você terá após assisti-lo. Então, se você pretende fazer o download do filme ao fim do post não termine de lê-lo.

A impressão que tive ao assistir A felicidade não se compra é que se Charles Dickens tivesse dirigido um filme, ele seria exatamente assim. Não sei se esse foi, de fato, o melhor filme que já assisti, mas posso dizer seguramente que tudo me cativou nessa produção em preto e branco que conseguiu ser ao mesmo tempo divertida e emocionante, mesmo com os poucos recursos cinematográficos aos quais tinha acesso em plena década de 40.

A primeira coisa que me prendeu e encantou foram os créditos iniciais: eram letras e desenhos preparados cuidadosamente a mão, e cada papel era tirado um a um para que os nomes principais do filme fossem revelados. Achei belíssimo. E pensei que na era digital em que estamos, ninguém mais se daria ao trabalho de desenhar caprichosamente em uma folha de papel para exibir os créditos de um filme.

Em seguida vem a história batida do anjo errante e sem asas que precisa ajudar um humano a não fazer bobagens. E então, o flash-back de toda a vida do personagem principal: George Bailey, um garoto divertido, bondoso e determinado que, ao ver seus objetivos impedidos dia após dia, se torna estressado, preocupado e abatido.


Contudo, ao longo de sua vida, George salvou a vida de muitas pessoas. Foi bondoso sem achar que a sua bondade realmente tivera importância. Casou com a mulher que amava e teve quatro filhos, uma bela família que acabava prejudicada pela frustração do pai. Será preciso que George enxergue o quão importante fora e é para que ele salve, dessa vez, a sua própria vida. E de quebra, dê um par de asas para o seu anjo responsável.

Com belíssimas cenas e intérpretes condizentes ao ritmo e mensagem do filme, "A felicidade não se compra", do diretor e produtor Frank Capra, é um típico conto de Natal cativante e envolvente, o suficiente para me fazer derramar algumas lágrimas ao fim. E, acredite, isso é raro. Um filme simples e indispensável no repertório de qualquer cinéfilo. E, se possível, de qualquer ser humano também.

Trailer "A felicidade não se compra"



domingo, 10 de abril de 2011

Sobre Itty Bitty Titty Commitee

Sempre fui completamente contra os rótulos que se colocam nos filmes que apresentam casais homossexuais. Quer dizer... se há um filme em que Tom Cruise e Cameron Diaz beijam-se, casam, ou fazem o que se deve fazer em um relacionamento hétero, ninguém diz que assistiu a um filme heterossexual. Porém, se Angelina Jolie e Winona Ryder beijam-se em determinado filme, automaticamente, ele passa a ser um filme homossexual. Ponto.

Portanto, não vou dizer que Itty Bitty Titty Commitee (2007) é um filme gay. Não, ele é uma comédia alternativa americana, filmada com fundos na organização Power Up. Trata, primeiramente, de feminismo, revolução, juventude, radicalidade, direitos e, ainda, o homossexualismo em alguns contextos.

O romance indeciso e confuso de Anna (uma aspirante a universitária um tanto sem graça que acabou de levar o seu primeiro pé-na-bunda) e Sadie (uma garota tão revolucionária em suas ideias quanto submissa em seu relacionamento com uma mulher que mais parece ser sua mãe) se torna apenas um complemento para o foco principal do filme: A defesa dos direitos feministas, não apenas os constitucionis, mas os ideológicos. "Abaixo a ditadura do pênis" é a mensagem que a C(i)A (Clits in Action), grupo feminista formado por mulheres heterossexuais, gays e transsexuais, tenta passar.

Não vou mentir. Itty Bitty Titty Commitee é um filme de mulheres para mulheres. O filme, desde a direção até a edição, é feito por mulheres. Mesmo no elenco, contam-se os nomes masculinos. E tenho minhas dúvidas se a maioria dos homens aguentaria os vinte primeiros minutos do filme. Anyway...

Embora um tanto radicais, as ideias propostas na produção são bastante interessantes. O filme condena desde o impulso social para que as mulheres sigam um determinado padrão físico e ideológico, até a instituição matrimonial, a qual, segundo a C(i)A, é mais uma forma de subjulgar a mulher à figura masculina.

Cena em que a C(i)A picha o vidro de uma loja de roupas para mulheres magras e troca os manequins para formatos variados, defedendo a ideia de que "Mulherem vêm em todos os formatos"


Itty Bitty é um filme dinâmico e divertido, formado por aquele elenco que você sabe que já viu em algum lugar, mas não lembra onde. Contudo, todos fazem um bom trabalho, de forma a serem compatíveis com a proposta do filme. As câmeras nervosas que parecem ser gravadas com uma digital de 5.0 px dão uma visão mais amadora ao mesmo tempo que original ao filme.

Vencedor de dois festivais na categoria Melhor Enredo, Itty Bitty Titty Commitee é capaz de prender pelos pequenos detalhes mesmo aqueles que não concordam com as suas ideias. Um filme mediano, mais para mais que para menos. Um ótimo passar de tempo para aqueles que desejam fugir um pouco das produções hollywoodianas.

Trailer - Itty Bitty Titty Commitee

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Sobre Freaks, de Tod Browning

Me recuso a utilizar a denominação brasileira para o filme de terror/comédia/drama/sociologia do diretor Tod Browning - o realizador de Dracula (1931). "Monstros" é quase uma ofensa à mensagem repassada pelo filme Freaks.

O filme em preto e branco de 1932 é chocante por demonstrar verdadeiramente o que, hoje em dia, utilizaríamos programas de edição gráfica para montar. O ambiente? Um circo. Lugar de alegria, gargalhadas, bichos e pessoas felizes, certo? Errado.


Os "bichos" de Freaks são pessoas comuns com apenas uma diferença: elas são aberrações - e não monstros.

O contexto é o dia-a-dia dessas adoráveis e horríveis - depende do ponto de vista - criaturas no circo em que são atrações. Mas claro que lá também há pessoas "normais" como a esnobe trapezista Cleopatra e homem forte Hercules, amantes e companheiros de discriminação contra os Freaks.



Cleopatra vê em Hans, o cordial e rico anão do circo, a possibilidade de ganhar dinheiro para esbanjar com Hercules e, mesmo que o homenzinho lhe deixasse enojada, ela o seduz e casa-se com ele. Na cerimônia, os freaks, sempre unidos, resolvem dar uma carta de credibilidade a Cleopatra e cantam uma música com a finalidade de aceitá-la em seu ciclo. Infelizmente - para a trapezista - ela estava bêbada e acaba demonstrando o seu desprezo juntamente com Hercules.

A vingança dos freaks é, na minha opinião, a única parte "aterrorizante" do filme, mas como torci para aquilo desde que não simpatizei nem um pouco com Cleopatra, só consegui exclamar um "Bem feito!" ao fim da cena.


Freaks é, na verdade, um dos filmes mais lindos e humanos que já assisti, graças à indicação do colega Cefas Carvalho. E cada freak - Daisy e Violet, as gêmeas siamesas de gostos e humores completamente divergentes, o engraçado homem-torso, e ainda o inteligente e sério homem-cobra (cujo ator foi casado e pai de cinco filhos) - me encantou singularmente.


Freaks é, mais que um filme comum, uma lição de vida e uma crítica ao pensamento da época, ainda mantido por muitos de nós.

domingo, 3 de abril de 2011

Sobre Audrey Hepburn


A belga Audrey Kathleen Ruston queria mesmo era ser bailarina. Fruto de uma família conturbada, Audrey esteve presente em episódios da II Guerra Mundial, como militante, na Holanda, onde morou durante parte da infância e da adolescência. Desiludida de atuar como bailarina - Audrey não tinha as medidas certas para isso -  começou a fazer pequenas participações em filmes. Bastaram alguns deles para que ela ganhasse o seu primeiro papel principal, que viria a lhe render um Oscar, no filme A Princesa e o Plebeu (1953).

A atriz ainda se tornou, ao fim de sua carreira, embaixatriz da Unicef, instituição pela qual ela trabalhou incansavelmente até falecer, em 1993, aos 63 anos, vítima de câncer.

A beleza de Audrey, bem como sua simpatia, talento e dignidade, são admiradas ainda hoje por fãs de todo o mundo que, seduzidos pela atriz, ainda a mantêm no topo da lista de suas preferidas. O rosto da bela, inclusive, já foi inspiração para a personagem de HQ Julia Kendall.


Apesar dos bem-falados A Princesa e o Plebeu, Sabrina e Bonequinha de Luxo (no qual Audrey arrisca alguma palavras em português), o meu favorito é mesmo My Fair Lady, filme que fez com que minha paixão e admiração pela doce e encantadora Audrey Hepburn se consolidasse.

Para conhecer um pouco mais sobre Audrey, uma ótima pedida é  o filme de 2000, The Audrey Hepburn Story, em que Jennifer Love esforça-se para fazer jus à atriz em sua atuação amadora. A versão mais jovem de Audrey é interpretada pela talentosa Emmy Rossum.

sábado, 2 de abril de 2011

Sobre Alice Suburbana

Um mudança completa merece, no mínimo, uma explicação. Uma explicação, na verdade, de mim para mim. Até esse momento ainda não estruturei argumentos e motivos suficientes para essa modificação, então, vamos lá.

Não gosto muito de me centrar diretamente em assuntos pessoais ou no meu cotidiano, mas é necessário para explicar o motivo do novo nome. Estava eu entrando no CCHLA (Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes) da UFRN e passo por Louisy, a secretária da coordenação, com quem converso por minutos praticamente toda semana, mas ela sempre insiste em me chamar de Andrea (e isso foi uma evolução de "menina loirinha"), e não Andressa. Até que resolvi insistir para que aprendesse o meu nome verdadeiro. E, aparentemente, ela aprendeu. Dessa forma, achei estranho quando, ao passar por mim, ela disse: "Ei, Alice!" Porém, considerando a minha pressa e a pressa dela, só pude interrogar, intrigada: "Alice??"

Minutos depois, quando estava esperando o início de uma reunião, Louisy reaparece e repete o dito: "Ei, Alice!" Dessa vez, não me contive e cobrei imediatamente uma explicação para aquela mudança repentina de nomes. Ora, eu sequer pareço com nenhuma das Alices que conheço. Então, ela me disse que Gabi, outra funcionária do CCHLA com quem às vezes converso, sempre me chamou de Alice. Engraçado: eu nunca soube disso, em quase um ano, até ontem. Não tive tempo de perguntar o porquê daquilo, já que no segundo seguinte Louisy, sempre correndo, já tinha adentrado a sala da coordenação. Funcionária exemplar essa Louisy...


De toda forma, fiquei pensativa acerca daquela estranha denominação e comecei a me comparar com Alices... A primeira que me veio a cabeça foi mesmo a Alice Liddell. Aquela do País das Maravilhas. Tenho uma estranha e divertida afinidade com essa Alice. Eu a conheci, primeiramente, quando tinha onze anos. Digo, verdadeiramente, afinal, que tipo de criança nunca ouviu falar de Alice? Mas o livro, o livro mesmo (embora fosse uma versão adaptada), eu li quando tinha essa idade. Na época, me pareceu tão louco quanto cativante. Com o tempo, fui me informando também a respeito de Lewis Carroll, o autor, a quem muitas pessoas criticam por ter, aos trinta anos de idade, escrito um livro para uma criança de apenas dez. Alguns dizem que Carroll tinha um quê de pedófilo. Eu prefiro acreditar que ele compartilhava uma das minhas maiores paixões: encantar pessoas - crianças, principalmente, já que elas se deixam encantar com mais facilidade - com histórias de ficção.

Era exatamente dessa forma que eu me sentia ao ler Alice, agora a versão completa que incluía O País das Maravilhas e Através do Espelho, seis anos após o meu primeiro contato: Encantada. Como se, por alguns poucos minutos, a realidade, que nem sempre me fazia tão feliz quanto àquele livro, não fosse tão importante.

Por isso, me sinto atraída por qualquer produção, texto ou animação que diga respeito à obra. Assisti muitas versões: desde a animação da Disney até a minissérie norte-americana produzida pelo canal Syfy em 2009, em que Alice é uma professora de artes-marciais, adulta, forte, corajosa e curiosa e que acaba apaixonada pelo Chapeleiro. Esse, a propósito, era incrivelmente bonito e nem um pouco louco.
Passei, logicamente, pela Alice de Tim Burton. Não vou criticá-lo, ou esse post ficará bem maior do que (pelo visto) já ficará, mas posso dizer que a produção me encantou tanto quanto as outras Alices que já havia conhecido.

De fato, essa Alice me cativava e tínhamos, pensando bem, algo em comum: ambas somos impetuosas, curiosas, sedentas por experiências e, por isso, corajosas.

Porém, incrivelmente, essa não foi a única Alice que me veio à cabeça e nem a única responsável por o nome no blog. A Alice Suburbana, na verdade, talvez diga mais a respeito à segunda Alice que a essa.



Alice Pieszecki, a engraçada, crítica, dedicada e espontânea jornalista e radialista da série norte-americana The L Word, interpretada pela atriz Leisha Hailey. Alice é sempre aquela que procura entender as complicações, desvendar os mistérios, defender as minorias, e nunca se intimida se acha que está no lugar certo, com o pensamento certo.

O título completo, contudo, foi indicação da minha amiga, Ana Clara. Eu sempre soube que ela tem uma sensibilidade criativa admirável. E como ela escolheu atuar em uma área em que tal dom não é tão aproveitado, tento estimulá-lo de outras formas. Inclusive, de formas a me beneficiar, como aconteceu na madrugada de ontem. Demorei a aceitar que Alice Suburbana seria um título apropriado. Afinal, eu não sou tão suburbana assim. Mas também não sou tão urbana. Sempre preferi a periferia ao centro. Sempre simpatizo mais com grupos menores, com opiniões excluídas e ações não divulgadas. Então, talvez eu seja mesmo suburbana, de alguma forma.

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