quinta-feira, 28 de abril de 2011

Chuva sem água

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"Rain is what the thunder brings
For the first time I can hear my heart sing"

[HOJE] Cine Assembleia exibe filme "Os Incompreendidos", de François Truffaut



O quê? Exibição e discussão acerca do filme "Os Incompreendidos", de François Truffaut
Quando? Hoje, dia 28 de abril, às 18h.
Onde? Assembleia Legislativa de Natal
Quanto? Entrada franca.

Saiba aqui mais informações sobre o evento.
Clique aqui para ler a crítica do filme.

UFRN promove Seminário de Arte e Cultura


Teatro, música, literatura, jornalismo e audiovisual. Esses são só alguns dos temas para lá de convidativos do I Seminário de Arte e Cultura da UFRN, um evento produzido através da parceria da Pró-Reitoria de Extensão da UFRN (PROEX), da Superintendência de Comunicação (FMU, TVU, AGECOM),do Departamento de Artes (DEART), do Departamento de Comunicação (DECOM), da Escola de Música da UFRN (EMUFRN) e com apoio do SEBRAE e do IFRN.

O evento, que tem como objetivo qualificar o debate, o planejamento e a execução da política cultural da UFRN, será realizado do dia 02 ao dia 06 de maio. O tema do Seminário será  “Diretrizes e ações no contexto das políticas culturais”, visando a elaboração de diretrizes e ações  que venham a ampliar o acesso da comunidade acadêmica e da sociedade civil à formação e à produção cultural universitária.

Os seminaristas terão a oportunidade de participar das Oficinas de Jornalismo Cultural - ministrada pelos membros da Revista Catorze, Elaboração de Projetos (SEBRAE) e ainda conferir apresentações culturais no Centro de Convivência da Universidade.

 A programação ainda englobará Grupos de Trabalhos, exposições e debates acerca de diversas áreas da cultura. A inscrição é gratuita e poderá ser realizada através do site do evento: http://www.nac.ufrn.br/seminario/

Confira a programação completa abaixo:

SEGUNDA 02/05
Local: AUDITÓRIO DA REITORIA UFRN




MANHÃ
9h00 – Abertura institucional do Seminário- Hino Nacional
- Apresentação cultural
10h - Conferência: “Políticas Culturais para os próximos anos”(Representante do Ministério da Cultura)
12h00 – Apresentação cultural no Centro de Convivência

TARDE
14h – Cultura na extensão universitária / ForProex
- Prof. Cipriano Maia Vasconcelos - Pró-reitor de Extensão da UFRN; Presidente do Forum de Pro-reitores (FORPROEX)
15h30 – Política Cultural e Rede de Memória na UFRN
Profª Teodora Alves/Diretora do Núcleo de Arte e Cultura da UFRN; Profª do Departamento de Artes da UFRN;
Profª Margarida Oliveira / Profª do Departamento de História da UFRN;
Prof. Herculano Campos/Diretor da Editora da UFRN;
Profª Josimey Costa/Superintendente de Comunicação da UFRN
17h30 – Fórum Musical: universidade e sociedadeCoordenador do Curso de Música da UFRN
Coordenador do Fórum potiguar de Música
17h30 – Fórum de Literatura, Livro e Leitura
18h30 - Abertura do Projeto De Fora Adentro (Instalação artística - imagem aerea da cidade de Natal)
Coordenação: Maurício Panella
Local: Centro de Convivencia da UFRN


TERÇA 03/05
Local: AUDITÓRIO DA REITORIA UFRN
Local: DEPARTAMENTO DE ARTES/UFRN

MANHÃ
8h00 – Ações culturais no contexto da Economia da cultura -
Profª Leandro Valiati/RS - Professor, consultor e pesquisador em Economia da Cultura em diversas instituições, entre elas UFRGS ,MinC e Unesco.
Prof. Sávio Araújo/ Prof. Departamento de Artes da UFRN; Coordenador do Laboratório de Estudos Cenográficos e Tecnologias da Cena - CENOTEC
10h15 – Produção Universitária
Discente: Desafios e Conquistas no contexto cultural.
Representantes discentes com trabalhos relevantes
Rodrigo Bico - Discente do DEART; Ator e representante estadual da comissão nacional de Pontos de Cultura.
Joanisa Prates - Radialista e Coordenadora do Projeto Vozes da Vila/UFRN / MINC
Rodrigo Severo - Discente do DEART; Ator e colaborador de projetos de extensão da UFRN.
Mediação: Prof. Makarios Maia Barbosa/ DEART/ UFRN
12h00 – Apresentação cultural no Centro de Convivência

TARDE
14h – Formação de GTs Temáticos:
GT 01: Literatura e Artes
GT 02: Teatro, Dança e Extensão Universitária
GT 03: Imagem, Arte e Mídia
17h30 – Mesa 1: Fórum de Dança: Universidade e sociedade -
Karenine Porpino - Coordenadora do Curso de Dança da UFRN
Jaquelene Linhares - Representante do Fórum de Dança do RN
Mesa 2: Fórum de Teatro: Universidade e sociedade -
Coordenador do Curso de Teatro da UFRN Representantes de movimento teatral em Natal
18h30 - Ouidá
Coordenadora: Profª. Lara Rodrigues Machado/ DEART/ UFRN
Local: Teatro Laboratório do DEART/UFRN


QUARTA 04/05
Local: AUDITÓRIO DA REITORIA UFRN

MANHÃ
8h00 – Mesa: Produção para Tv PúblicaPalestrante: Cineasta Roger de Renó - Diretor da TV Pernambuco (Educativa).
Mediadora: Jornalista Vania Marinho - TVU-RN / COMUNICA - UFRN
Debatedores: Profa. Angela Almeida - DEPED / UFRN
Dramaturgo Henrique Fontes - Casa da Ribeira

10h00 – Jornalismo e divulgação cultural
Mediadora: Jornalista Cione Cruz - AGECOM / COMUNICA - UFRN
Painelistas: Prof. Emanoel Barreto - DECOM/UFRN
Prof. Vicente Vitoriano - DEART - UFRN
Jornalista Osair Vasconcelos - TV BAND -Natal/RN
Jornalista Tácito Costa - Substantivo Plural/FIERN
12h00 – Apresentação cultural no Centro de Convivência

TARDE
13h30 - Apresentação Cultural

14h00 – Mesa: Rádio e Produção local
Palestrante: Mário Sartorello - Rádio IRDEB - BA
Mediadores: Jornalista Anna Jasiello - UFM / COMUNICA - UFRN
Debatedores: Prof. Danilo Guanais - Escola de Música - DEART/UFRN
Produtor cultural Anderson Foca - DoSol-Natal/RN
16h00 – Interfaces Arte e Mídia
-Prof. Adriano Charles Cruz - DECOM/UFRN
-Prof. Fabio Nunes - DEART/UFRN
-Jota Medeiros - NAC/UFRN
-Profª. Lilian Carla Muneiro - DECOM/UFRN
17h30 – Fórum de Áudio-visual: Universidade e Sociedade
Prof. Ruy Alkmim Rocha Filho - DECOM/UFRN
Prof. Nelson Marques - NUTICT/ Núcleo de Comunicação em Cultura, Ciência e Tecnologia, MCC/UFRN; Cineclub Natal

QUINTA 05/05

MANHÃ (Local: Auditório da Biblioteca)
8h00 Mesa: Produção cultural e artística na atuação do professor de artes
Prof. Robson Haderchpek -
Prof. do Curso de Teatro da UFRN
Profª. Nara Pessoa - Coordenadora e Professora do Curso de Produção Cultural do IFRN.
- Vera Santana- Coordenadora do Projeto
Conex ão Felipe Camarão; Diretora da Cia. Terra Mar.
Mediação: Prof. Jefferson Fernandes/ PROEX
/ DEPED
Obs.: Participação do Projeto Escambo de Saberes/ PROEX/ PROGRAD/ SME
10h30 –Leis de incentivo e políticas culturais / Funcarte e FJA
12h00 – Apresentação cultural no Centro de Convivência

TARDE (Local: Auditório da Biblioteca)
14h00 – - Oficina de Elaboração de Projeto/Coordenação SEBRAE RN (Capacidade: 30 pessoas)
- Josenilton Tavares - Antropólogo e Produtor Cultural. Atua nas áreas de Gestão, Produção, Formação e Elaboração de Projetos Culturais.

14h00 –
- Oficina de Jornalismo Cultural/Equipe Revista Catorze (Capacidade: 60 pessoas)
17h30 – Fórum Potiguar de cultura : universidade e sociedade

SEXTA 06/05
Local: AUDITÓRIO DA REITORIA UFRN

MANHÃ
8h00 – Fórum de Arte e Cultura da UFRN
Apresentação e orientações gerais sobre a criação do Fórum
Coordenador: Prof. Gabriel Galiano - Escola de Música/UFRN

Formação de grupos por área:
- Teatro
- Dança
- Artes Vis
uais
- Musica
- Comunicação e Áudio visual

12h00 – Apresentação cultural no Centro de Convivência

TARDE
14h00 – Fórum de Arte e Cultura da UFRN
Apresentação dos resultados
Sistematização das diretrizes e ações (Documento Institucioanal)



*Programação sujeita a modificações

"Projeto Conviver - Música, Poesia Exposições e Lançamentos de Livros"
Período: 03 de maio
Horário: 7h30 as 14h
Local: Centro de Convivencia da UFRN

"Projeto De Fora Adentro (Instalação artística - imagem aerea da cidade de Natal)"
Coordenação: Maurício Panella
Local: Centro de Convivencia da UFRN

Período de Experimentação: 02 a 06 de maio de 2011

"Dia Mundial do Livro - VI Quixote com Rosas e I Sant Jordi a la Universitat"
Exposições de Livros, Quadros e Esculturas
Horário de Visitação - das 09 h da manhã ás 21 h
Período: 02 a 06 de Maio de 2011
Local: Cooperativa Cultural da UFRN e Atelier de Artes do NAC/ UFRN
Curador: Prof. Dr. João da Mata Costa - UFRN

terça-feira, 26 de abril de 2011

Sobre Contos de Amor Rasgados


A primeira impressão que tive ao ver "Contos de Amor Rasgados", de Marina Colasanti, é que seria um livro ausente de qualquer tipo de pudores. A começar pela capa, nem um pouco convencional. Eu estava certa, mas o livro é mais que isso.

A segunda impressão, ao analisar o título, é que seriam contos de amor às avessas... ou contos de amores sofridos.... ou mesmo uma declaração pública contra o amor! Só estava parcialmente certa, mas ainda não é apenas isso.

O livro "Contos de amor rasgados" exige do leitor, além de preparo emocional para anti-clímax, certo repertório cultural e literário para entender o conteúdo dos pequenos - e pesados - contos que recheiam as suas páginas.

Marina Colasanti brinca com expectativas dos leitores e reescreve sensações e histórias, desde mitos gregos, contos infantis, até clássicos da literatura mundial. São textos curtos que remetem a mais que imagens, mas sensações. O leitor não mentalmente o que a autora escreve, mas sente.

O mais interessante é a abertura que Marina dá para a imaginação de quem a lê. Seus personagem quase sempre não têm nomes nem formas, ficando esses detalhes menos importantes para a narrativa a critério de quem a lê. Portanto, se você, leitor, não tem uma imaginação e vive de estórias mastigadas, é melhor nao experimentar o delicioso sabor de ler/degustar "Contos de Amor Rasgados".

Como aperitivo, deixo um dos (mini)textos do livro, que remete ao personagem (real, acredita-se) de Dante Alighieri, autor de "A Divina Comédia". Na história, Conde Ugolino devora seus próprios filhos e netos, e só estando a par dessa informação, o conto de Marina se torna compreensível.

A grande fome do Conde Ugolino

Quando não houve mais prantos e gritos, sua descendência toda brilhando em ossos pelo chão, tirou enfim do bolso a cópia da chave, abriu a porta, e palitando dos dentes a doce carne da sua carne, desceu a longa escada da torre.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Sobre Irracionalidade

 Primeiro assista...

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Sério que os homens são racionais e o ser que desenhou isso com tanto detalhismo, técnica e perfeição não o é?

Bem, eu falo por mim: não teria saído da tromba do desenho com DUAS MÃOS, lápis e borracha, imagina com apenas uma tromba, pincel e tinta.

Incrível o quanto a natureza pode nos surpreender.

domingo, 24 de abril de 2011

Sobre Religião

Descobri que religião é bom, quando somos crianças, pequenos e um tanto inúteis. Ela nos faz aprender certos preceitos, nos dá uma razão para fazer boas ações e nos condiciona a um moralismo que, no fim, acaba servindo como acréscimo para uma boa educação.

Contudo, depois de certo tempo, se a religião continua como sacramentada e dogmática, sem que se critique ela ao menos um pouco e sem que se tenha coragem de apontar algumas imoralidades óbvias dentro de cada uma delas, o religioso se torna parte de um rebanho, que se tange para um lado e para outro, que bate palmas quando o líder religioso diz que se devem fechar os olhos para os erros de determinada instituição unicamente pelo fato de se fazer parte dela.

Sabe, seu padre, não é bem assim. Acredito e tento amar a Deus, mesmo com todas as suas e as minhas complexidades, mas não me peça para fechar os olhos, como o resto do seu gado, e admitir que a Igreja é linda, justa e santa. Eu não acredito nisso. E gostaria de não acreditar também que a mesma pessoa que prega amor inconstitucional impõe a cegueira voluntária. É meu (e seu e de todos) dever social consertar o que está errado. E se fingem que não se importam com os erros da instituição com que se comunga, qual o sentido, meu amigo, de apontar os erros políticos, judiciais, civis, estatais, ambientais? A isso você deve chamar obediência. Eu chamo hipocrisia.

Religião não é Deus. Deus é muito maior que qualquer religião.

O significado da Páscoa na Terra Santa

Retirado da revista FotoGrafia, edição de março de 2010
Por Sandra Guimarães, da Palestina


Páscoa é a comemoração mais importante do calendário cristão. A Semana Santa começa no Domingo de Ramos, quando Jesus fez sua entrada triunfal em Jerusalém montado em um burro e foi recebido por uma multidão que agitava ramos de palmeira para saudar o messias, e termina no Domingo de Páscoa, quando Jesus ressuscitou, depois de ter sido crucificado, morto e sepultado na mesma cidade. Poder seguir os passos de Cristo, andar pelas ruas por onde passou carregando a cruz nas costas e rezar no lugar considerado o mais sagrado de todos pelo cristianismo, tem um valor inestimável para cada cristão. Para qualquer cristão ao redor do mundo, estar na Terra Santa durante a Páscoa é um imenso privilégio. Para qualquer cristão do mundo... menos para os palestinos.


"Façam paz, não muros." Foto: Anne Paq (2007)

Uma parte da população palestina é cristã. Esses palestinos são obrigados a pedir autorização a Israel para comemorar a Páscoa em Jerusalém. Todos os anos eles tentam, mas poucos palestinos morando na Cijordânia e em Gaza conseguem ir à igreja rezar no dia mais importante para todos os cristãos. Uma boa parte da cidade, incluindo a cidade antiga onde ficam os lugares sagrados para cristãos, muçulmanos e judeus, fica dentro dos limites do território palestino. Mas Jerusalém Leste, assim como o resto da Palestina, vive sob ocupação militar israelense desde 1967. O governo de Israel limita cada vez mais a entrada de palestinos em Jerusalém e esse ano poucas pessoas conseguiram autorização. Essa é uma face da ocupação da qual pouco se fala: a violação do direito de culto, ou seja, a impossibilidade de ir à igreja (ou à mesquita, no caso dos palestinos muçulmanos) rezar. A liberdade de exercer sua religião é um dos direitos fundamentais do homem, reconhecido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, mas violado diariamente por Israel quando se trata dos palestinos. Os muçulmanos também sofrem com essas restrições, principalmente durante o mês sagrado do Ramadan, quando eles tentam ir rezar na mesquita Al-Aqsa, em Jerusalém (o terceiro lugar da lista dos lugares santos muçulmanos).

Manifestação não-violenta. Foto: Anne Paq (2005)

No Domingo de Ramos palestinos organizaram uma caminhada para protestar contra a violação do direito de culto e restrições de movimento imposto por Israel. Cerca de duzentas pessoas, palestinos cristãos e muçulmanos, estrangeiros e alguns israelenses ativistas, caminharam da Igreja da Natividade em Belém (construída no lugar onde Jesus nasceu) em direção à Jerusalém, um percurso de pouco menos de 10 quilômetros. Hoje em dia existe o Muro de Separação e um “check point” (barragem militar israelense) entre as duas cidades e só os palestinos que possuem autorização de Israel podem atravessá-lo.

Chegando ao “chek point”, alguns manifestantes aproveitaram a breve abertura de um dos gigantescos portões de ferro que separa palestinos de palestinos e continuaram a caminhada rumo à Jerusalém. Eles carregavam ramos de palmeira e bandeiras da Palestina, e gritavam “Palestina livre!” e “Nós temos o direito de andar nas nossas terras!”. Um agricultor acompanhou toda a passeata montando em seu burro, exatamente como o mais famoso dos palestinos fez há mais de dois mil anos. Para aquelas pessoas era a primeira vez em muitos anos que elas colocavam os pés do outro lado do Muro. Mas essa pequena vitória não durou muito tempo e logo soldados e policiais israelenses impediram a passeata de continuar. Os manifestantes consideraram aquilo o final da linha e começaram a voltar para Belém.

Muitas manifestações são repreendidas com violência. Foto: Anne Paq (2007)

Nesse momento os soldados israelenses atacaram a multidão e prenderam de maneira violenta dez palestinos, quatro israelenses ativistas e uma americana. O agricultor foi bruscamente arrancado de cima do seu burro e jogado dentro de um jipe militar, na frente do seu filho que chorava e gritava pelo pai. Por mais absurdo que possa parecer, o burro também foi preso. Os israelenses e a americana foram liberados algumas horas depois, mas até o momento em que escrevo este artigo os palestinos ainda continuam na prisão. Ninguém sabe quando eles voltarão para casa, nem mesmo se eles voltarão para casa um dia. O único crime que eles cometeram foi andar em suas próprias terras e tentar ir à igreja rezar.

Milhares de cristãos do mundo inteiro visitam Israel durante a Semana Santa. Esse ano Israel avisou às autoridades religiosas que nenhum palestino, seja da Cijordania, Gaza ou de Israel, entrará em Jerusalém. Nem aqueles que, depois de tanto esforço, conseguiram a tão sonhada autorização. Israel está mais uma vez aplicando uma punição coletiva e isso é um crime de guerra. Somente pelegrinos estrangeiros poderão comemorar a Páscoa na cidade antiga. No nosso país várias igrejas organizam viagens de peregrinação à Terra Santa. Nessas viagens a palavra “Palestina” não é sequer mencionada e os viajantes voltam para casa achando Israel um lugar maravilhoso e sem tomar conhecimento dos palestinos que são humilhados, torturados e assassinados ao lado dos lugares santos. Nossas igrejas estão compactuando com as atrocidades cometidas por Israel e esta não é uma atitude cristã.

"Nós todos somos palestinos" Foto: Anne Paq (2006)

No domingo de Páscoa, enquanto os cristãos do mundo inteiro vão à missa e comem ovos de chocolate, Israel viola o direito de culto de milhares de palestinos cristãos. Amigos apodrecem nas prisões israelenses injustiçados e torturados por terem ousado lutar pelo simples direito de rezar. Aquele garotinho ainda chora e chama pelo pai. Em plena Terra Santa!


Para mais fotos da ativista Anne Paq, acesse o site AnnePaq.com

sábado, 23 de abril de 2011

Sobre Caicó



Salve a terra de Sant'Ana que, mesmo abandonada, permanece acolhedora e deslumbrante como forma de protesto e prova de imponência que irresponsabilidade de poder público algum conseguirá desarmar!

Salve Caicó que tanto me alegrou e entristeceu nos últimos dois dias e durante seis anos já passados. Saiba, minha querida Caicó, que ainda a amo, mesmo que esteja doente, cheia de ferimentos e mal-cuidada.

Salve a pobre Caicó, entregue a mãos erradas, mas que um dia receberá o cuidado e dedicação de que é digna!

Salve Caicó, templo de Sant'Ana gloriosa, que chora o descaso à sua casa.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Disponibilizado trailer oficial de "A Bela Adormecida", de Julia Leigh

Emily Browning, a adolescente com ar infantil de Desventuras em Série e a bela protagonista do recente Sucker Punch - Mundo Surreal é a Bela Adormecida do longa-metragem australiano que, de clássico da Disney, só tem mesmo o nome. O filme de roteiro e direção de Julia Leigh está na lista da programação do festival de Cannes de 2011, que terá início dia 11 de maio.

Emily Browning, em cena de "A Bela Adormecida"

 A trama é pesada, descrita com um conto de fadas sombrio e erótico sobre a jovem estudante Lucy, que se envolve em um nicho específico de prostituição. Ela dorme todos os dias sob efeito de drogas no suntuoso "Quarto da Bela Adormecida" e vira objeto dos homens. No dia seguinte, não lembra de absolutamente nada.

O elenco ainda é composto por nomes como Michael Dorman, Mirrah Foulkes e Rachael Blake.

 Trailer Oficial de "Sleeping Beauty"

A edição de 2011 de Cannes contará também com filmes de diretores como Pedro Almodóvar ("La Piel que Habito"), Takashi Miike ("Hara-kiri: Death of a Samurai"), e Woody Allen, com o filme de abertura "Meia Noite em Paris".


Fontes: Uol
              Blog Veludo Azul

O Poder das Palavras

Vídeo a mim repassado por uma amiga. Retrata a mais pura verdade, embora tenha um fim comercial. Trata-se de auto-divulgação da empresa britânica de marketing digital Purple Feather. De toda, forma, vale à pena dar uma conferida!


Às vezes, como é mais importante que o que...

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Cineclube Natal e Assembleia Legislativa promovem cineclubismo para alunos da rede pública

Sessão do filme "Entre os muros da escola” no Cine Assembleia

Cinema, temas polêmicos e debate. Essa será a receita para os alunos da Escola Estadual Régulo Tinôco na noite da próxima quinta feira (28). O Cineclube Natal, em parceria com a Assembleia Legislativa, promove a segunda sessão do Cine Assembleia, ocasião em que os alunos de uma escola da rede pública são convidados a irem à Assembleia Legislativa para assistirem a um filme de conteúdo moral relacionado a escolas e, em seguida, fazem uma discussão a fim de trocarem impressões acerca da produção. A Assembleia encarrega-se do transporte dos alunos.



O projeto, que tem como objetivos o incentivo à cultura no meio escolar e a formação de público para gêneros de filmes diferenciados, não é exclusivo para os alunos das escolas convidadas. Toda a comunidade que tenha disponibil idade de comparecer à Assembleia Legislativa, às 18h, nas últimas quintas-feiras de cada mês pode assistir aos filmes e participar das discussões realizadas acerca das produções exibidas.

Para Nelson Marques, vice-presidente da instituição, a discussão é a essência do cineclubismo. “O que nós fazemos é formação de público, não é uma sessão de cinema pura e simples. É necessário aprender a como ver um filme”, explica.

A primeira sessão do Cine Assembleia voltada para o debate sobre temas escolares aconteceu na última quinta-feira de março (31), com a exibição do longa-metragem “Entre os muros da escola”, do diretor francês Laurent Cante. O próximo filme a ser discutido será o também francês “Os incompreendidos” (1959), do diretor François Truffaut, que narra o difícil e perigoso caminho percorrido pela personagem principal, Antoine Doinel, ao sair de casa, já que seus pais pareciam não se importar realmente com ele, e abandonar a escola, uma vez que aquele não era mesmo o seu ambiente preferido.

A entrada é franca, a pipoca é por conta da casa e o filme vale à pena ser assistido!


Trailer - Os Incompreendidos

Nota: Pede-se aos participantes que não trajem bermudas. Aconselha-se ainda que levem casacos devido à temperatura do local.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Sobre o dia 18 de abril

Passavam das 22h e a pequena garota sabia que a mãe, dona Regina, brigaria por ela não estar dormindo ainda. Mas quem tinha culpa? Ela já havia cantado, contado, pensado e até rezado, como a mãe ensinara, mas nada dava jeito. Achava que estava naquela fase de transição em que o horário de dormir aumentaria, mas infelizmente a mãe não achava o mesmo.

Contudo, Kassandra, a miúda garota de cinco anos e meio, levantou-se embrulhada à roupa de frio que usava para dormir e arrastou o lençol e o sapo de pelúcia até a sala de estar, onde a mãe parecia compenetrada e finalmente relaxada ao assistir um programa noturno. O bico já estava pronto quando Dona Regina percebeu a presença da filha encolhida no corredor que dava para a sala.

- Posso ver TV com você? - choramingou a garota, mais por manha que por outra coisa.

- Por que ainda está acordada, Kassandra? - a mãe olhou para a filha com um olhar tão terno quanto repreensivo.

- Os anjos ainda não chegaram. Estão atrasados hoje. Posso ver TV com você? - insistiu.

- Não está passando nada para a sua idade, filha.

- E quando passam coisas para a minha idade? - retrucou.

- Ora, de manhã, minha querida.

- Mas de manhã eu estou na aula. Eles não pensam nisso?

- Pensam. E é por isso que não há um horário para você. Eles querem que você seja inteligente... e televisão não vai te ajudar a se tornar uma moça inteligente.

A essa altura Dona Regina já desligara a TV e calçava os chinelos de dedo para levantar do sofá, consciente de que a sua missão de mãe ainda não acabara àquela noite.

- Mas você assiste TV, mãe... - choramingou novamente Kaka.

- Isso porque eu não sou tão esperta quanto você - sorriu, divertida, embora os olhos estivessem vermelhos de sono e cansaço acumulado. Ainda assim, foi até a garota e colocou-a no colo, com lençol e sapo, e fez o percurso de volta para o quarto da filha.

- Mãe... eu não vou conseguir dormir. - Kassandra resmungou novamente, agarrando-se ao fiapo de esperança restante para assistir à televisão.

- E quem disse que nós vamos dormir? - a mãe respondeu, com um sorriso maroto nos lábios enquanto acomodova a filha de volta na cama. Sabia que a fórmula que aplicaria a seguir era infalível.

- Então você me conta uma estória? - Kassandra virou de lado na cama, sem perder a mãe de vista, com os olhos bem abertos para que a mãe não fugisse.

- E qual você quer?

- Uma nova, mãe. Inventa!

Ai ai... Nem Rapunzéis, nem Brancas de Neve, Cinderelas ou Belas Adormecidas convenciam a menina mais de uma vez. Era faminta por estórias novas e Dona Regina não sabia de onde conseguia tirar tanta criatividade para uma nova narração quase todos os dias. Pelo menos, nunca precisava terminá-las.

Foi então que sentou-se ao lado da cama de Kassandra, pensou por uns segundos e começou uma estória sobre um peixe dourado que não tinha amigos por ser diferente de todos os outros peixes. Pouca coisa aconteceu ao pequeno peixe. Antes mesmo que Dona Regina conseguisse dar-lhe uma estrela-do-mar como companheira, os olhos de Kaka, outrora tão atentos e determinados a manterem-se acordados, já pesavam o suficiente para só abrirem novamente no dia seguinte.

Dona Regina então, levantou-se do chão frio do quarto da filha e seguiu em direção ao próprio quarto, bocejando, pronta para ela mesma dormir. Não imaginava a proporção que cada estória inacabada daquelas tomava nos sonhos da menina Kassandra, onde o peixinho dourado poderia transformar-se em um golfinho, em um pássaro, e até em gente, se quisesse.




No princípio, era a música...

No princípio, fez-se a música. Limpa e seca, como se deve ser a música de verdade. Então, surgiram os videoclipes. Eles serviam para divulgar e ilustrar a música. A música de verdade. Limpa e seca.

Waterloo - Abba

Então, surgiram os efeitos especiais...

 Madonna - Like a Prayer

 O homem, contudo, insatisfeito com os efeitos especiais, começou a alterar a música...

Britney Spears - Toxic

Determinado a estragá-la, o homem persistiu...

Lady Gaga e Beyoncé - Telephone

Por fim, ele conseguiu.

Katy Perry e Kanye West - ET

domingo, 17 de abril de 2011

Sobre a Felicidade, que não se compra

Tive acesso ao filme A Felicidade não se compra (It's a wonderful life, 1946) em uma das situações menos prováveis possíveis. Contudo, sou extremamente grata a quem me apresentou a ele, embora, provavelmente, esse tenha sido o único contato mais próximo que tivemos e teremos na vida. Com essa pessoa também aprendi algo de que sempre lembrarei: Não leia sinopses. Confie se alguém diz que um filme é bom. As sinopses acabam com boa parcela do encanto dos filmes... e raramente influenciam na opinião que você terá após assisti-lo. Então, se você pretende fazer o download do filme ao fim do post não termine de lê-lo.

A impressão que tive ao assistir A felicidade não se compra é que se Charles Dickens tivesse dirigido um filme, ele seria exatamente assim. Não sei se esse foi, de fato, o melhor filme que já assisti, mas posso dizer seguramente que tudo me cativou nessa produção em preto e branco que conseguiu ser ao mesmo tempo divertida e emocionante, mesmo com os poucos recursos cinematográficos aos quais tinha acesso em plena década de 40.

A primeira coisa que me prendeu e encantou foram os créditos iniciais: eram letras e desenhos preparados cuidadosamente a mão, e cada papel era tirado um a um para que os nomes principais do filme fossem revelados. Achei belíssimo. E pensei que na era digital em que estamos, ninguém mais se daria ao trabalho de desenhar caprichosamente em uma folha de papel para exibir os créditos de um filme.

Em seguida vem a história batida do anjo errante e sem asas que precisa ajudar um humano a não fazer bobagens. E então, o flash-back de toda a vida do personagem principal: George Bailey, um garoto divertido, bondoso e determinado que, ao ver seus objetivos impedidos dia após dia, se torna estressado, preocupado e abatido.


Contudo, ao longo de sua vida, George salvou a vida de muitas pessoas. Foi bondoso sem achar que a sua bondade realmente tivera importância. Casou com a mulher que amava e teve quatro filhos, uma bela família que acabava prejudicada pela frustração do pai. Será preciso que George enxergue o quão importante fora e é para que ele salve, dessa vez, a sua própria vida. E de quebra, dê um par de asas para o seu anjo responsável.

Com belíssimas cenas e intérpretes condizentes ao ritmo e mensagem do filme, "A felicidade não se compra", do diretor e produtor Frank Capra, é um típico conto de Natal cativante e envolvente, o suficiente para me fazer derramar algumas lágrimas ao fim. E, acredite, isso é raro. Um filme simples e indispensável no repertório de qualquer cinéfilo. E, se possível, de qualquer ser humano também.

Trailer "A felicidade não se compra"



Sobre por que as mães gritam

Hoje recebi um e-mail desses comuns, que a gente lê para passar o tempo. Então, não vou dissertar muito a respeito e mostrar-lhes o conteúdo...













Ah... Se fosse filho meu...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Sobre Entrevistar

Se há uma coisa realmente produtiva e apaixonante na minha profissão é essa tal de entrevista.

É impressionante o quanto se aprende com outras pessoas se você está disposto a ouvi-las. E, logo eu, que sempre gostei de responder, vou inventar de perguntar. Cheguei à conclusão que perguntar é, de fato, bem melhor que responder. Primeiro, você não corre o perigo de falar nada inapropriado... no máximo, faz uma pergunta mal-feita, mas nada que coloque tudo a perder. Depois... conhecer experiências, sensações... adentrar as possibilidades de outrém é tão mais instigante que centrar-se no próprio umbigo.

Claro, nem toda entrevista é realmente aproveitável. Pessoalmente, gosto de fazer perguntas pouco definidas, que dão abertura ao entrevistado ir longe... viajar e contar coisas que eu nunca imaginei escutar. Às vezes, moram aí as maiores descobertas. Gosto de ser surpreendida, ou não precisaria sair de casa para apurar pautas. A indução já seria o suficiente.

De toda forma, houve uma inspiração para esse post: tive a alegria de realizar duas boas e satisfatórias entrevistas hoje. A primeira, com a Miss Rio Grande do Norte, Daliane Menezes. E a segunda, com o jornalista, escritor e blogueiro, Antônio Nahud, editor do Falcão Maltês. Ambas as entrevistas com focos e formatos diferentes, mas recheadas de conteúdo e aprendizagem.



A primeira, com Daliane Menezes, foi tão divertida  e admirável quanto a personagem entrevistada. Daliane conseguiu tirar o resto de preconceito que eu ainda tinha dos concursos de misses. Não é culpa dessas garotas se há um padrão de beleza pré-determinado em que elas se encaixam. O que realmente importa é que elas se esforçam, lutam e sacrificam-se não apenas para serem bonitas, mas pelo prazer e determinação de poderem representar as suas cidades, estados e países em um concurso que não se restringe a beleza. Certo que é um pré-requisito. Um pré-requisito o qual sempre achei fútil. Mas Daliane e sua simpatia, amabilidade, inteligência e beleza me fizeram acreditar que o concurso é, mais que futilidade, uma oportunidade para moças de bom coração tentarem orgulhosamente levar olhares para ângulos invisíveis da sociedade. É como se a beleza fosse apenas a ponte para um objetivo maior. O melhor foi descobrir sobre a vida daquela mulher cuja pernas unidas aos saltos eram quase suficientes para ultrapassar os meus 1,52m, de cabelos, unhas e sorriso impecáveis. Descobrir que ela já usara óculos para contornar os seus 10 graus de miopia... ou mesmo que já havia sido uma criança gordinha e traquina. À uma primeira vista, é quase impensável que Daliane não tivesse sido criada em uma caixinha de cristal. E ao fim da entrevista ela já me chamava de "Andressinha". Podem me chamar de facilmente manipulável, mas, esse ano, assistirei ao Miss Brasil com a empolgação de uma final da Copa do Mundo entre Brasil e Argentina. E meu lado cearense que me perdoe, mas minhas torcidas serão voltadas para a doce Daliane.

A segunda entrevista, com Nahud, foi tão gratificante quanto a primeira, embora mais breve. Para uma matéria sobre o Cinema Cult, vi em Nahud uma excelente fonte. Com todo o seu histórico, não me surpreenderia se sequer conseguisse chegar até ele. Porém, para minha surpresa, o jornalista e escritor baiano foi mais acessível que o meu próprio pai teria sido em uma entrevista. Eu, que esperava encontrar um homem sério com postura europeia, um tanto breve e que não me daria tanto crédito, encontrei um homem com a simpatia de um garoto, simples ao marcar a entrevista em um local popular, e extremamente atencioso a ponto de, ao fim da entrevista técnica, responder mais um questionário acerca da profissão que compartilhamos. E ainda prometeu-me um dos seus livros publicados, o qual, com certeza, terei completo prazer em cobrar.

Certamente, nas entrevistas, pequenas elas que sejam, o conteúdo não é o mais importante. Mas o que se consegue tirar das personalidades que se desvendam. Daliane Menezes e Antonio Nahud, quase tão contrastantes entre si quanto admiráveis individualmente, foram o meu maior aprendizado do dia.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Sobre The Lonely Island

Esses caras fogem totalmente ao tipo de postagem do blog... mas como eles salvaram o meu humor hoje, merecem um espaço!

Não vou dissertar muito sobre eles, pois não tenho tanto cacife para isso. Só digo que eles são uma banda americana existente há dez anos e cantam músicas no gênero comédia/paródias. Em seus vídeos, quase sempre aparecem artistas famosos, como Akon, Blake Lively, Jessica Alba e até Susan Sarandon. Só não me perguntem como eles acabam parando lá. Quanto ao mais, Wikipedia.

Morram de rir:


Clipe "I Just Had Sex", Lonely Island feat. Akon


Canal no Youtube do The Lonely Island
Twitter do The Lonely Island

Stacy & Roxy

Por muito tempo mantive um vídeo da dupla Stacy Westfall e Roxy na página "Vídeo" do meu blog quando ele ainda chamava-se Cultive Rosas.

De repente, me deu uma vontade de postá-lo novamente... talvez pela simpatia que tenho pela confiança mútua delas. Pela parceria, companheirismo, dedicação... E sem chicote... sem sela. É tão possível domar animais sem fazer o uso da força, apenas com carinho e paciência, como também é possível fazer o mesmo com humanos.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Dia 07 de abril: dia do jornalista

[Homenagem atrasada, mas finalmente apareceu!]

Por Themis Lima

O jornalismo é uma atividade ampla, que acompanha tradições, revela mitos e conta revoluções. O perfil do jornalista é o profissional apaixonado pelo que faz, mas que caminha a duras penas ao lado de sua votação: ele escolta a notícia aonde quer que esteja. Em comemoração aos trabalhadores do jornalismo, o dia 07 de abril é festejado oficialmente como o Dia do Jornalista.

Não há data concreta para o surgimento do jornalismo, só as impressões do que possa ter sido seu berço. Há quem suponha que seu nascimento acompanhou os primeiros passos da imprensa, na Suméria, séculos antes de Cristo. Em suportes de cera e argila, sob moldes cilíndricos que formatavam a ‘informação’, para alguns, já se fazia jornalismo. Outros indicam que foi em Roma a origem da atividade periodista: Acta Diurna era o nome da folha diária – que não era de papel – publicada pelas autoridades romanas, e que surgiu por volta de 60 a. C.


 

 Apesar disso, a hipótese de mais peso assegura que o jornalismo passou a existir, como o conhecemos, junto à imprensa móvel, criação do inventor alemão Johannes Gutenberg. Foi a partir da segunda metade do século XV, então, que o mundo pôde imprimir suas ideias e os vigilantes da informação puderam notificar seus informes com mais facilidade.

Quanto mais o jornalismo se consolida como profissão, mais o mundo descobre sobre si. Das simples notícias às grandes reportagens, o propósito é de fazer saber. Com o aparecimento do rádio e da televisão, na primeira metade do século XX, e da internet, a irmã-prodígio das comunicações, o jornalismo vem ganhando feições sensoriais e aproxima cada vez mais quem fala de quem vê.

Para o jornalista e professor doutor de Jornalismo Impresso da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Emanoel Barreto, que conta 37 anos de profissão, o jornalismo é um grande exercício democrático e plural. “Ele é também uma atividade empresarial, mas ele tem na sua essência, na sua matriz profunda, um compromisso com a democracia”, afirma. Segundo o professor, a primeira voz a ser silenciada em um processo ditatorial, por exemplo, que exclui a democracia por princípio, é a da imprensa.

Apesar da força que exerce sobre a sociedade, o jornalismo vem sofrendo questionamentos sobre seu futuro. A internet e sua capacidade de conceder espaço e voz aos indivíduos, que antes eram apenas os receptores dos veículos tradicionais, tornaram o mundo um grande painel virtual, que parece desdenhar da era do papel. Para Barreto, ainda é cedo para falar na quebra do impresso: “Isso é uma ideia, no mínimo, apressada. Não é porque a internet vem ganhando espaço que os jornais vão pura e simplesmente fechar suas portas. O jornalismo impresso e a internet não são como dois corpos físicos, que não podem ocupar o mesmo lugar no espaço. São duas situações sociais que tem diversidades e proximidades”, explica. A saída sugerida pelo professor, e por muitos que acompanham mudança, é a adaptação do conteúdo para a nova realidade: um novo jornalismo para um novo leitor.

A multidão de vozes proporcionada pela rede virtual trouxe à tona um velho questionamento que divide opiniões e amedronta os sindicatos e associações: a exigência do diploma para o cumprimento do jornalismo. A lei n° 5250, a Lei de Imprensa, foi interrogada e derrubada pelo Superior Tribunal Federal em abril de 2009 e levou a sociedade a perguntar até onde vai a importância das cadeiras universitárias.

Mesmo sem idade precisa, e sem futuro traçado, o jornalismo permanece como tronco da sociedade, que se divide em braços e posições distintas, mas que, juntas, acrescentam pontos à verdadeira democracia.

domingo, 10 de abril de 2011

Sobre Itty Bitty Titty Commitee

Sempre fui completamente contra os rótulos que se colocam nos filmes que apresentam casais homossexuais. Quer dizer... se há um filme em que Tom Cruise e Cameron Diaz beijam-se, casam, ou fazem o que se deve fazer em um relacionamento hétero, ninguém diz que assistiu a um filme heterossexual. Porém, se Angelina Jolie e Winona Ryder beijam-se em determinado filme, automaticamente, ele passa a ser um filme homossexual. Ponto.

Portanto, não vou dizer que Itty Bitty Titty Commitee (2007) é um filme gay. Não, ele é uma comédia alternativa americana, filmada com fundos na organização Power Up. Trata, primeiramente, de feminismo, revolução, juventude, radicalidade, direitos e, ainda, o homossexualismo em alguns contextos.

O romance indeciso e confuso de Anna (uma aspirante a universitária um tanto sem graça que acabou de levar o seu primeiro pé-na-bunda) e Sadie (uma garota tão revolucionária em suas ideias quanto submissa em seu relacionamento com uma mulher que mais parece ser sua mãe) se torna apenas um complemento para o foco principal do filme: A defesa dos direitos feministas, não apenas os constitucionis, mas os ideológicos. "Abaixo a ditadura do pênis" é a mensagem que a C(i)A (Clits in Action), grupo feminista formado por mulheres heterossexuais, gays e transsexuais, tenta passar.

Não vou mentir. Itty Bitty Titty Commitee é um filme de mulheres para mulheres. O filme, desde a direção até a edição, é feito por mulheres. Mesmo no elenco, contam-se os nomes masculinos. E tenho minhas dúvidas se a maioria dos homens aguentaria os vinte primeiros minutos do filme. Anyway...

Embora um tanto radicais, as ideias propostas na produção são bastante interessantes. O filme condena desde o impulso social para que as mulheres sigam um determinado padrão físico e ideológico, até a instituição matrimonial, a qual, segundo a C(i)A, é mais uma forma de subjulgar a mulher à figura masculina.

Cena em que a C(i)A picha o vidro de uma loja de roupas para mulheres magras e troca os manequins para formatos variados, defedendo a ideia de que "Mulherem vêm em todos os formatos"


Itty Bitty é um filme dinâmico e divertido, formado por aquele elenco que você sabe que já viu em algum lugar, mas não lembra onde. Contudo, todos fazem um bom trabalho, de forma a serem compatíveis com a proposta do filme. As câmeras nervosas que parecem ser gravadas com uma digital de 5.0 px dão uma visão mais amadora ao mesmo tempo que original ao filme.

Vencedor de dois festivais na categoria Melhor Enredo, Itty Bitty Titty Commitee é capaz de prender pelos pequenos detalhes mesmo aqueles que não concordam com as suas ideias. Um filme mediano, mais para mais que para menos. Um ótimo passar de tempo para aqueles que desejam fugir um pouco das produções hollywoodianas.

Trailer - Itty Bitty Titty Commitee

terça-feira, 5 de abril de 2011

A cada 36 horas, um homossexual é morto no Brasil

Link original do texto no Instituto Humanitas Unisinos

Em 2010, 260 gays, travestis e lésbicas foram assassinados no Brasil. De acordo com um relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB), divulgado nessa segunda-feira, a cada um dia e meio um homossexual brasileiro é morto. Nos últimos cinco anos, houve aumento de 113% no número de assassinatos de homossexuais. Apenas nos três primeiros meses de 2011 foram 65 assassinatos.


 A reportagem é de Daniella Jinkings e publicada pela Agência Brasil, 04-04-2011.
Entre as vítimas, 54% são gays, 42%, travestis e 4%, lésbicas. Para o antropólogo responsável pelo levantamento, Luiz Mott, as estatísticas são inferiores à realidade. “Esses 260 assassinatos documentados são um número subnotificado, porque não há no Brasil estatísticas oficiais de crimes de ódio. Para os homossexuais, a situação é extremamente preocupante.”

O estudo também aponta que o Brasil lidera o ranking mundial de assassinatos de homossexuais. Nos Estados Unidos, foram registrados 14 homicídios de travestis em 2010, enquanto no Brasil, foram 110 assassinatos. Além disso, o risco de um homossexual ser morto violentamente no Brasil é 785% maior que nos Estados Unidos. De acordo com Mott, esse aumento é resultado do aumento da violência e da impunidade. “Há um crescimento da quantidade de assassinatos. Além disso, menos de 10% desses assassinos são presos e sentenciados. Atualmente, a visibilidade dos gays é maior, pois há muitos se assumindo e isso provoca o aumento da intolerância.”

Entre os estados brasileiros, a Bahia lidera, pelo segundo ano consecutivo, o ranking nacional. Foram 29 homicídios em 2010. Alagoas ocupa a segunda posição, com 24 mortes; seguido pelo Rio de Janeiro e São Paulo, com 23 assassinatos cada. De acordo com o relatório, Alagoas também é o estado que oferece maior risco para os homossexuais. Maceió é a capital onde mais gays são assassinados - com menos de 1 milhão de habitantes, a cidade registrou nove homicídios.

Segundo o estudo, o Nordeste é a região mais homofóbica do país. O Nordeste abriga 30% da população brasileira e registrou 43% dos homossexuais assassinados. Vinte e sete por cento dos assassinatos ocorreram no Sudeste, 9% no Sul, 10% no Centro-Oeste e 10% no Norte. O risco de um homossexual do Nordeste ser assassinado é aproximadamente 80% mais elevado que no Sul ou no Sudeste.

De acordo com Mott, essa situação pode ser revertida com educação sexual nas escolas, maior rigor da polícia e da Justiça, políticas afirmativas que garantam a cidadania plena de 10% da população e maior cuidado dos próprios gays, travestis e lésbicas.

O GGB vai denunciar o governo brasileiro à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) e à Organização das Nações Unidas (ONU) por crime de prevaricação e lesa humanidade contra os homossexuais.

Desabafo

Por tantas vezes histórias reais são distorcidas pelas vozes mais altas. Por tantas vezes, os jornais divulgam o que o governo quer que as pessoas saibam e recusam-se a olhar por aqueles que imploram pelo espaço de um quarto de página e não têm dinheiro para pagar por ele.

Histórias são insistentemente contatas e recontadas, com ênfases e detalhes, a um jornalista, e um assessor bem pago ou uma boa assistência jurídica conseguem transformá-las em balela com a rapidez de um carro que não deixa mais que poeira no caminho por onde passou.

Então, quando escolho dar voz a quem me pede a oportunidade de divulgar a verdade, quando resolvo criticar imoralidades e irregularidades governamentais e dar um pouco de dignidade a uma situação sufocante sou chamada sensacionalista.

Talvez seja mesmo um erro escolher um lado. Não. Talvez seja mesmo um erro escolher o lado do mais fraco. Talvez eu devesse, como jornalista, apenas jogar opiniões e declarações, enfatizando aquela que tem mais a me oferecer. Contudo, eu tenho uma opinião própria e faço questão de expressá-la, sensacionalista ou não.

Talvez eu devesse mesmo é ser escritora, e não jornalista.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Sobre Freaks, de Tod Browning

Me recuso a utilizar a denominação brasileira para o filme de terror/comédia/drama/sociologia do diretor Tod Browning - o realizador de Dracula (1931). "Monstros" é quase uma ofensa à mensagem repassada pelo filme Freaks.

O filme em preto e branco de 1932 é chocante por demonstrar verdadeiramente o que, hoje em dia, utilizaríamos programas de edição gráfica para montar. O ambiente? Um circo. Lugar de alegria, gargalhadas, bichos e pessoas felizes, certo? Errado.


Os "bichos" de Freaks são pessoas comuns com apenas uma diferença: elas são aberrações - e não monstros.

O contexto é o dia-a-dia dessas adoráveis e horríveis - depende do ponto de vista - criaturas no circo em que são atrações. Mas claro que lá também há pessoas "normais" como a esnobe trapezista Cleopatra e homem forte Hercules, amantes e companheiros de discriminação contra os Freaks.



Cleopatra vê em Hans, o cordial e rico anão do circo, a possibilidade de ganhar dinheiro para esbanjar com Hercules e, mesmo que o homenzinho lhe deixasse enojada, ela o seduz e casa-se com ele. Na cerimônia, os freaks, sempre unidos, resolvem dar uma carta de credibilidade a Cleopatra e cantam uma música com a finalidade de aceitá-la em seu ciclo. Infelizmente - para a trapezista - ela estava bêbada e acaba demonstrando o seu desprezo juntamente com Hercules.

A vingança dos freaks é, na minha opinião, a única parte "aterrorizante" do filme, mas como torci para aquilo desde que não simpatizei nem um pouco com Cleopatra, só consegui exclamar um "Bem feito!" ao fim da cena.


Freaks é, na verdade, um dos filmes mais lindos e humanos que já assisti, graças à indicação do colega Cefas Carvalho. E cada freak - Daisy e Violet, as gêmeas siamesas de gostos e humores completamente divergentes, o engraçado homem-torso, e ainda o inteligente e sério homem-cobra (cujo ator foi casado e pai de cinco filhos) - me encantou singularmente.


Freaks é, mais que um filme comum, uma lição de vida e uma crítica ao pensamento da época, ainda mantido por muitos de nós.

domingo, 3 de abril de 2011

Sobre Henfil

Não vou dar uma de falsa amante da revolução e dizer que Henfil é o meu cartunista favorito. Não é. Na verdade, em matéria de talento gráfico, para mim, ele não é isso tudo. Mas o cara fez a diferença. Com  humor e talento incríveis, o jornalista, cartunista, quadrinista e escritor Henfil ajudou a contornar um dos piores períodos, se não o pior, de nossa história nacional.

 Graças a minha feliz e literária infância, eu não consigo não compará-lo com a dupla Fred e Jorge da série Harry Potter, que misturavam humor e indignação em seus protestos.

De toda forma, o meu objetivo desse post é mesmo apenas compartilhar esse quadrinho atemporal que achei de Henfil. Na verdade, o ano é 1980 e o espírito de liberdade urgia pelo Brasil a fora. Mas quem não deseja enxergar esperança todos os dias? Henfil foi tão feliz nesse quadrinho quanto em tantos outros de seus muitos rabiscos, misturando a coletividade de um país e a subjetividade de uma única pessoa. E é isso que não deixa que seu talento padeça, mesmo após 23 anos de sua morte.

Sobre Audrey Hepburn


A belga Audrey Kathleen Ruston queria mesmo era ser bailarina. Fruto de uma família conturbada, Audrey esteve presente em episódios da II Guerra Mundial, como militante, na Holanda, onde morou durante parte da infância e da adolescência. Desiludida de atuar como bailarina - Audrey não tinha as medidas certas para isso -  começou a fazer pequenas participações em filmes. Bastaram alguns deles para que ela ganhasse o seu primeiro papel principal, que viria a lhe render um Oscar, no filme A Princesa e o Plebeu (1953).

A atriz ainda se tornou, ao fim de sua carreira, embaixatriz da Unicef, instituição pela qual ela trabalhou incansavelmente até falecer, em 1993, aos 63 anos, vítima de câncer.

A beleza de Audrey, bem como sua simpatia, talento e dignidade, são admiradas ainda hoje por fãs de todo o mundo que, seduzidos pela atriz, ainda a mantêm no topo da lista de suas preferidas. O rosto da bela, inclusive, já foi inspiração para a personagem de HQ Julia Kendall.


Apesar dos bem-falados A Princesa e o Plebeu, Sabrina e Bonequinha de Luxo (no qual Audrey arrisca alguma palavras em português), o meu favorito é mesmo My Fair Lady, filme que fez com que minha paixão e admiração pela doce e encantadora Audrey Hepburn se consolidasse.

Para conhecer um pouco mais sobre Audrey, uma ótima pedida é  o filme de 2000, The Audrey Hepburn Story, em que Jennifer Love esforça-se para fazer jus à atriz em sua atuação amadora. A versão mais jovem de Audrey é interpretada pela talentosa Emmy Rossum.

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